Padre Wenceslau pode se tornar o primeiro santo do Paraná

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Diocese de Ponta Grossa inicia processo de beatificação. Padre atuou em Irati, na Paróquia São Miguel, entre os anos de 1956 e 1963, quando faleceu

 

 

 

A Diocese de Ponta Grossa vai dar entrada, no Vaticano, ao processo de beatificação do padre Wenceslau Szuniewicz, nascido na Polônia em 1892 e falecido em Irati, no ano de 1963. O sacerdote chegou ao Brasil em 1952 e desembarcou em Irati quatro anos mais tarde. Ele atuou na Paróquia São Miguel até seu falecimento, em 1963, e seus restos mortais repousam no Cemitério Municipal de Irati. O anúncio do início do processo de beatificação do sacerdote foi realizado de forma oficial durante homilia do bispo Dom Sérgio Arthur Braschi, no tríduo de preparação para a Festa de São Miguel, realizada na paróquia no último final de semana.

Um dos fatores que contribuiu para a solicitação foi a repercussão do livro “O Genial Padre Doutor” publicado em julho deste ano e que narra a trajetória do padre Wenceslau. A biografia é assinada pelo historiador e presidente da Academia de Letras, Artes e Ciências do Centro-Sul do Paraná (ALACS), Herculano Batista Neto.

O padre Wenceslau era também médico e é reconhecido, internacionalmente, como precursor, na oftalmologia, da cirurgia refrativa de córnea. Experimentos que ele realizou na China, enquanto missionário, nos anos 1930, e nos Estados Unidos e, depois, em Mafra (SC), foram refeitos e validados. Em Irati, seu trabalho foi essencialmente voltado à assistência social, através da Associação dos Pais Cristãos, da instalação de um dispensário no bairro Rio Bonito, para atender aos mais necessitados e pelo exercício da medicina no Hospital de Caridade São Vicente de Paulo.

O sacerdote também foi reconhecido por promover o acesso à cultura e incentivar a educação, fundando bibliotecas volantes, levando o teatro ao interior e à cidade e auxiliando escolas da zona rural.

Segundo o bispo Dom Sérgio Arthur Braschi, da Diocese de Ponta Grossa, o padre Tomaz Mavric, superior geral da Congregação da Missão e das Filhas da Caridade (Vicentinos), esteve em Curitiba, na semana passada e conversou com ele em busca de mais detalhes para combinar o início do processo. “Assim, vocês poderão dizer, com toda a certeza: ‘Convivemos com um santo, vivemos ao lado de um santo sacerdote, o padre Wenceslau, o Padre Doutor’”, disse.

O padre Luiz Carlos Mirkoski, pároco da Paróquia São Miguel, ressaltou o papel de padre Wenceslau como fundador da Congregação Vicentina em Irati. “Ele é fundador dos padres vicentinos, que iniciaram a Paróquia São Miguel. São os primeiros padres que trabalharam e deram início à vida pastoral das paróquias de Irati, na verdade, da São Miguel, de modo especial, devido à imigração polonesa e dos padres poloneses que ali chegaram”, contou.

Os bispos diocesanos têm a autoridade de iniciar o processo de beatificação. Para cada causa, o bispo escolhe um “postulador” – um padre que estará à frente desse trabalho. “Uma espécie de advogado, que tem uma missão importante: a de investigar, detalhadamente, a vida do candidato, para conhecer sua fama de santidade. Precisa conversar com muita gente, estudar a vida da pessoa, buscar as mais variadas fontes e tudo o que for possível reunir sobre a vida desse candidato que está entrando no processo de beatificação e na causa de canonização”, explicou o padre Rodrigo Ribas, da São Miguel.

Uma vez iniciado o processo de beatificação, o candidato recebe o título de “servo de Deus”. “O primeiro processo é o das virtudes ou do martírio. São dois passos fundamentais: ou serão reconhecidas as virtudes ou vai ser reconhecido o martírio do candidato. Esse é o passo mais demorado, porque o postulador deve investigar minuciosamente a vida desse servo de Deus. Se for um mártir, devem ser estudadas as circunstâncias da sua morte, para confirmar se houve, realmente, um martírio. Ao concluir esse processo, a pessoa é considerada ‘venerável’ – o segundo passo”, detalhou.

Depois disso, se inicia a investigação para comprovação de um milagre atribuído ao candidato à beatificação. “Para que se torne um beato, é necessário comprovar um milagre que tenha acontecido pela sua intercessão. É um processo bem longo. No caso dos mártires, não é necessária a comprovação do milagre. O caso do padre Wenceslau não é o de martírio. Então, precisa da comprovação de um milagre por intercessão dele, precisa estudar cientificamente o caso, para comprovar, realmente, a existência de um milagre”, prosseguiu.

Uma vez confirmado o milagre, é preparada a cerimônia de beatificação. Nessa etapa, o candidato é chamado de ‘beato’ ou ‘bem-aventurado’. Existem alguns no Brasil, como é o caso do Beato Inácio de Azevedo e dos 39 companheiros mártires – conhecidos como Quarenta Mártires do Brasil; do Beato Eustáquio van Lieshout; do Beato Mariano de la Mata Aparício; da Beata Albertina Berkenbrock (mártir); do Beato Manuel Gonzalez e Beato Adílio Daronch (mártires); da Beata Lindalva Justo de Oliveira, FDC (mártir); da Beata Bárbara Maix; da Beata Dulce dos Pobres – a Irmã Dulce; da Beata Francisca de Paula de Jesus (Nhá Chica); da Beata Assunta Marchetti; do Beato Francisco de Paula Victor e do Beato João Schiavo.

O terceiro e último processo é a confirmação de um segundo milagre, para a canonização – ou seja, para que a pessoa seja, de fato, considerada santa. “Esse tem que ser ocorrido após a beatificação. Comprovado, então, mais um milagre, a pessoa passa a ser canonizado e cultuada universalmente”, esclareceu o padre Rodrigo.

“É uma grata surpresa, um presente que o Dom Sérgio trouxe, através do provincial dos padres vicentinos, da possibilidade de abrirmos aqui em Irati ou na nossa Diocese, de um processo de beatificação e – por que não? – de canonização do padre Wenceslau, o Padre Doutor, que trabalhou aqui na Paróquia São Miguel e que exerceu a profissão de médico, cuidando da saúde física e da espiritual, de forma muito especial, como um ponto de referência, principalmente no cuidado, no tratamento dos olhos. Nos alegrou muito, estamos muito felizes [com a notícia]. É também uma responsabilidade”, disse o padre Luiz.

 

Com informações Rádio Najuá

 

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